Segunda-feira, Fevereiro 02, 2009

"Citius" autográficos!

Estive a pensar seguir a jurisprudência, aliás douta (apesar dos erros de português), da Exma. Sr.ª Dr.ª Hasse (muito havia a dizer acerca do sobrenome…)
Referia-me, obviamente, à etimologia... antropologia… raízes alemãs… Enfim…
Dizia eu que, conto retroagir os efeitos da minha decisão até ao momento em que comecei a usar o citius.
Assim, já dei ordem de compra para 10% das acções da Renova, de modo a ter um desconto de 25% nas 55 paletas de papel A4 que, de bom grado, enviarei aos Colegas da Exma. Sr.ª Dr.ª Hasse para que não restem dúvidas sobre a autenticidade da minha assinatura constante de todas as peças processuais já entregues electronicamente. Em jeito de ratificação póstuma (desculpem o termo, mas falando de processos judiciais, a ascensão aos céus ou a descida ao reino de Satã é uma possibilidade sempre presente…).
Ao mesmo tempo, vou apresentar requerimento em todas as minhas peças processuais entregues via citius, suscitando a análise da questão da autenticidade da minha assinatura, em face das "fundadas" suspeitas levantadas pela Mma. Juiz de Direito.
Tudo, claro, com duplicado para o Dr. Lingnau da Silveira – que com a proximidade profissional à AR, esqueceu-se que as normas provenientes de S. Bento também devem obediência à (sua) Lei.
Também enviarei um duplicado ao nosso ministro que tem andado afastado … da opinião pública… Coitado… Ninguém o vê … Ouvi alguns profissionais do foro dizer que era por uma questão de competência; outros dizem que o Nosso Ministro (vénia, sff) nunca mais se refez do escândalo de Macau… Eu tenho por assente que ele anda demasiado ocupado com as partidas de bridge com o Dr. Barreiros de quem, aliás, consta ser amicíssimo…. Até serviu de mote para uma das personagens do seu livro…!!! Sim, porque tenho a certeza que, a ser pela incompetência, ele nunca teria chegado a ministro deste governo….
Bem, tudo isto porque não aprecio a existência de dúvidas sobre as minhas acções, gestos e atitudes… Era o que faltava alguém se arrogar ser o pior advogado de Lisboa! Sou eu, e quero que a minha assinatura o ateste!
E pronto(s)!

Quinta-feira, Junho 12, 2008

As pontes de Lisboa


Portugal acaba de sair derrotado no braço de ferro que manteve com a Comissão Europeia e que, de resto, era já esperado.
Defender a tese da equivalência das entidades gestoras da travessia de Almada e da Ponte Vasco da Gama a serviços públicos (enquanto integrantes da Administração Pública) parece ter tido o propósito exclusivo de protelar no tempo uma decisão ... inadiavel.
No mais, o Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias considerou consumada a infracção à Sexta Directiva que manda aplicar a taxa de imposto geralmente aplicavel aos prestadores de serviços que, actualmente, se situa em 21 % - No final deste mês de Junho descerá 1%.
Quer isto dizer que teremos um aumento substancial no preço das portagens nas referidas travessias, a menos que a Assembleia (ou o Governo) decidam não repercutir o referido aumento nos consumidores, o que pode acontecer mediante o recurso a expedientes jurídicos ao seu alcance. No entanto, de difícil defesa.
Além dos efeitos que tal decisão emprestará à rentabilidade das empresas e, portanto, ao preço final de cada travessia por utilizador, surge a proposta... No momento conjuntural nacional, proponho que os honorários e despesas pagos aos juristas / advogados que defenderam o Estado Português sejam pagos pelo Instituto de Gestão Financeira e de Infra-estruturas do Ministério da Justiça, ou, tratando-se de avença com escritório de advogados, seja a mesma revista em função da produtividade que, aparentemente, tem andado, como o país, em baixa!
A menos que a intenção de contestar tenha sido esvaziada de motivos jurídicos...

Quinta-feira, Maio 29, 2008

Capítulo XXI - Um final

Cambaba continua hoje a sua vida pessoal e profissional entre o desprendimento e a genialidade das suas condutas.
Emocionalmente, na indefinição entre o correcto e o seguro. Infelicidades à parte.
Profissionalmente, entre a certeza da acção e o estímulo da omissão.
Filipe, seguiu o caminho donde nunca se desviou. Entre o recato do lar e a agitação de uma vida ao serviço dos clientes, mantém a serenidade com que sempre se apresentou. É verdadeiramente feliz.
Quanto a Manuel guarda uma postura imberbe que lhe tem trazido mais dissabores que satisfação. Ensombrado pelos permanentes préstimos maternos não parece satisfeito.
António, o génio por excelência, continua fiel a princípios que o afastam da normal e aparente normalidade comportamental. Crê-se que seja, sobretudo, uma pessoa realizada.
Cristina, uma mulher de coragem. Fiel a princípios de independência de género, apresenta níveis de concertação emocional e comportamental acima da média. É feliz de uma forma muito especial.
Salvador, continua a sua ascensão profissional, num escrupuloso respeito pelos valores que também eram os de Miguel e que, a espaços, faz menção de recordar.
Quanto a Sucinta, na dialética entre o que sente e o que aparenta, continua a desconhecer-se a sua verdadeira essência e real identidade.

Sexta-feira, Maio 16, 2008

Capítulo XX

Entre retrocessos, confirmações e decisões.
Entre beijos de despedida e o distanciamento da verdade, Sucinta comunicou a Miguel aquilo que ele há muito temia ouvir.
Fruto do amor com o seu marido, havia já recebido a confirmação laboratorial da sua gravidez.
Numa confusão de sentimentos, foram trocados votos de felicidades.
Miguel nunca permitiria que a sua reacção afectasse, de algum modo, o decurso da gravidez de Sucinta.
Seguro do que por ela sentia, resolveu, com dor, afastar-se até que, no dia 5 de Julho, endereçou sinceros parabéns à família pelo nascimento de Beatriz.
Em resposta, recebeu de Sucinta um agradecimento pela ausência proporcionada, envenenado com a afirmação que Miguel nunca pensou ouvir:
" - Entre o bem que me proporcionou o teu afastamento, e a tristeza de te não ver, custou-me mais a tua ausência...!!"
Do alto da falésia, Miguel conseguia ver a Baía de Cascais.
O céu estava limpo e aquele mar espelhava, sem ondas, o azul do horizonte.
Militar de profissão, Miguel orgulhava-se de falar do seu pai evitando, não raras vezes, que os olhos se enchessem de lágrimas. "Os Homens apenas limpam as lágrimas", ouvia dizer.
Lembrou-se dele, naquele momento e do amor que por ele nutria.
O esforço que fizera para sobreviver no passado, fruto de uma vida conturbada e, no fundo, sozinha, deixara-o agora sem forças para pensar o futuro.
" - Que futuro? Haverá futuro possivel, se volvidas três décadas para encontrar o Amor o encontrou finalmente fora de alcance? Lutar?"
Entre a dor de perder Sucinta e a conformação de voltar à vida quotidiana Miguel escolheu o mar.
De olhos bem fechados e com o vento a assobiar-lhe os ouvidos à medida que ganhava velocidade e se aproximava do solo, Miguel sentiu-se livre.
Enquanto caía, ouviu Cambaba chamar-lhe corajoso.
Pela última vez.

Capitulo XIX

Corria o ano de 2006.
Miguel havia sido informado da intenção da fábrica em prescindir dos seus serviços por motivos orçamentais, o que não foi verdadeiramente negativo para a sua vida. Muito pelo contrário.
Isto porque, a muito custo, Miguel era dos que nunca precisara de patrocínios parentais, politico-partidários ou outros para se afirmar. Sequer como Homem.
Como, de resto, tudo o que fizera na sua (já) longa vida.
O relacionamento com Sucinta terminara com as duvidas que normalmente surgem nestas ocasiões, e que se situam entre o risco do desconhecido e a certeza do vivido.
Sucinta escolheu manter o "status quo". Custou, mas Miguel limitou-se a aceitar.

Segunda-feira, Março 17, 2008

Capítulo XVIII

Miguel e Sucinta experimentaram a paixão.
Descontrolada, contudo.
Daquelas que fazem parecer os dias mais curtos, as árvores mais belas e o mundo mais... distante!
Conseguiam alcançar-se nos mais diferentes lugares.
Até nos sonhos que, sem o perceber, partilhavam sistemática e consecutivamente.
Num desses momentos de amor putativo, Sucinta, a propósito de uma conversa sobre anteriores colegas, referiu, jocosa, a sua especial vocação para "expulsar" os seus colegas de fábrica.
Essa conversa havia de ficar guardado na mente de Miguel até a o momento em que, finalmente, percebeu o seu verdadeiro alcance.

Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008

Capitulo XVII

O Gabinete encontrava-se atulhado em papeis, resultado de anos de má gestão orgânica e pouca disponibilidade técnica.
Na parede atrás de Sucinta, um cartaz anunciava a Exposição Mundial que Lisboa, nua, se orgulhava de apresentar às Sete Partidas.
Ao lado de Miguel, a parede, suja por uma utilização intensa e descuidada, assinalava passagem das cadeiras rolantes sobre o soalho de madeira. O ar pesado da sala havia sido invadido pela beleza daquele cenário. Um beijo a que seguiu outro.
Apaixonados, conseguiram alcançar um dos poucos momentos racionais que os iriam levar até onde hoje se encontram.
" - Isto vai dar merda!", exclamaram.

Capítulo XVI

Casados sim, mas com mentes diferentes, Miguel e Sucinta experimentaram novos acontecimentos com a maior proximidade dos novos membros, especialmente Cristina.
Movida pelo receio (infundado) de perder o ascendente que tinha sobre Miguel, Sucinta desenvolveu uma abordagem à relação com Miguel até agora dele desconhecida.
Tiveram então início as brincadeiras de cariz sexual provocatório, numa lógica de teste à amizade que os unia.
Para uns, tratou-se do receio de perder Miguel, sob a ameaça de Cristina e Maria de quem tinha, aliás, a boa impressão típica de uma cara nova.
Para outros, o despontar de uma atracção recalcada por meses de dúvidas, medos e expectativas ante e pós nupciais.
Para Miguel, a surpresa.
Então, numa tarde em que um tempo morto deu, primeiro, lugar à brincadeira e, depois, à provocação, subiram o degrau da reserva e beijaram-se.
Rápida, contudo apaixonadamente.

Segunda-feira, Novembro 19, 2007

Capítulo XV

Corria o ano de 2003.
O departamento de contabilidade da fábrica acabava de ser reforçado com a entrada de dois novos elementos.
Maria tinha uma estatura baixa. Inteligente, inspirava confiança. Até ao momento em que foi chamada para ocupar um lugar na Administração, ninguém tinha percebido o motivo por que tinha sido "enviada" para um gabinete financeiro, uma vez que tinha formação na área das relações internacionais.
Cristina era impetuosa. Uma mulher forte, com raízes tipicamente acima do Mondego e temperamento vincado. Iria aproximar-se de Sucinta de modo tal que, hoje, vivem uma amizade verdadeira, sincera e sem fronteiras.
A saída de Salvador da Fábrica, acabara por aproximar Sucinta de Miguel.
Companheiros inseparáveis desde o primeiro dia em que se conheceram, apoiavam-se mutuamente sem reservas a pontos de alguns funcionários terem deduzido que se encontravam casados um com o outro.

Capítulo XIV

Meses mais tarde, a Fábrica é abalada por algumas reorientações estruturais na unidade onde Sucinta trabalhava, com a saída de Pompadour e, mais tarde, de Filipe.

Surge, então, uma maior interdependência, primeiro funcional depois pessoal, entre Sucinta, Cambaba, Salvador e Miguel, o que era visto como uma sinal de promiscuidade nas relações entre dirigentes e dirigidos.

Estas idiossincrasias resultavam do pouco cuidado com que alguns sectores sociais tendem a enfrentar as relações humanas, muito próprias de intelectos pouco esclarecidos e com propensão para a maledicência.

Certo é que, ainda hoje, alguns anos volvidos, este núcleo de amigos se mantém inalterado com especificidades próprias mas com muita vontade de coexistir como tal.