sexta-feira, setembro 28, 2007

Capítulo XI

Dezembro de 2000.
Os primeiros meses da gestão de Cambaba começavam a demonstrar sinais de inabilidade que os seus técnicos não deixaram passar em claro. Tomando a dianteira, entretanto chamado a instâncias dirigentes superiores, Salvador assumiu a responsabilidade de alertar Cambaba para os evidentes desvios na gestão do seu departamento na Fábrica, conselho que acabaria por irrelevar até Outubro de 2007, com consequências negativas para todos.
No departamento de Miguel, decidiram levar a efeito um jantar de Natal, com a presença de todos. A partir desse momento, tornaram-se evidentes as grandezas de carácter de alguns e as fraquezas de outros com destaque, sempre, para Salvador cuja grandiosidade e boa disposição sempre presentes potenciam a inteligência que empresta ao seu ser.
Notava-se um ambiente estranho durante o convívio.
Miguel sentia-se deslocado e, ainda, pouco inserido no "grupo".
António permanecia calado. Observador e, apesar do aparente alheamento, muito atento aos diálogos pouco interessantes para onde o momento o empurrava. Transparecia uma serenidade carente de atenção que motivava o especial carinho de Miguel.
A Cambaba não faltavam temas de conversa. Dos mais futeis aos mais elaborados, o que parecia incomodar António.
Sucinta tentava esconder a sua fixação em Pompadour. Ouvia comentários e tecia considerações enquanto jantava com o propósito comprometedor da sedução, o que se percebia.
Filipe passava despercebido entre os murmúrios do silêncio e a agitação de alguns comentários desportivos. Era visto como um técnico em constante aprendizagem...
A noite avizinhava-se longa. Entre bares e discotecas, o ambiente era agradavelmente descontraído. No entanto, o cansativo dia de trabalho causava as suas previsíveis baixas pelas 2 da manhã.
O grupo dispersou, com excepção de Sucinta e Pompadour entre quem se soube mais tarde ter havido vantajosa conversa até tarde.