segunda-feira, novembro 19, 2007

Capítulo XV

Corria o ano de 2003.
O departamento de contabilidade da fábrica acabava de ser reforçado com a entrada de dois novos elementos.
Maria tinha uma estatura baixa. Inteligente, inspirava confiança. Até ao momento em que foi chamada para ocupar um lugar na Administração, ninguém tinha percebido o motivo por que tinha sido "enviada" para um gabinete financeiro, uma vez que tinha formação na área das relações internacionais.
Cristina era impetuosa. Uma mulher forte, com raízes tipicamente acima do Mondego e temperamento vincado. Iria aproximar-se de Sucinta de modo tal que, hoje, vivem uma amizade verdadeira, sincera e sem fronteiras.
A saída de Salvador da Fábrica, acabara por aproximar Sucinta de Miguel.
Companheiros inseparáveis desde o primeiro dia em que se conheceram, apoiavam-se mutuamente sem reservas a pontos de alguns funcionários terem deduzido que se encontravam casados um com o outro.

Capítulo XIV

Meses mais tarde, a Fábrica é abalada por algumas reorientações estruturais na unidade onde Sucinta trabalhava, com a saída de Pompadour e, mais tarde, de Filipe.

Surge, então, uma maior interdependência, primeiro funcional depois pessoal, entre Sucinta, Cambaba, Salvador e Miguel, o que era visto como uma sinal de promiscuidade nas relações entre dirigentes e dirigidos.

Estas idiossincrasias resultavam do pouco cuidado com que alguns sectores sociais tendem a enfrentar as relações humanas, muito próprias de intelectos pouco esclarecidos e com propensão para a maledicência.

Certo é que, ainda hoje, alguns anos volvidos, este núcleo de amigos se mantém inalterado com especificidades próprias mas com muita vontade de coexistir como tal.