quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Capitulo XVII

O Gabinete encontrava-se atulhado em papeis, resultado de anos de má gestão orgânica e pouca disponibilidade técnica.
Na parede atrás de Sucinta, um cartaz anunciava a Exposição Mundial que Lisboa, nua, se orgulhava de apresentar às Sete Partidas.
Ao lado de Miguel, a parede, suja por uma utilização intensa e descuidada, assinalava passagem das cadeiras rolantes sobre o soalho de madeira. O ar pesado da sala havia sido invadido pela beleza daquele cenário. Um beijo a que seguiu outro.
Apaixonados, conseguiram alcançar um dos poucos momentos racionais que os iriam levar até onde hoje se encontram.
" - Isto vai dar merda!", exclamaram.

Capítulo XVI

Casados sim, mas com mentes diferentes, Miguel e Sucinta experimentaram novos acontecimentos com a maior proximidade dos novos membros, especialmente Cristina.
Movida pelo receio (infundado) de perder o ascendente que tinha sobre Miguel, Sucinta desenvolveu uma abordagem à relação com Miguel até agora dele desconhecida.
Tiveram então início as brincadeiras de cariz sexual provocatório, numa lógica de teste à amizade que os unia.
Para uns, tratou-se do receio de perder Miguel, sob a ameaça de Cristina e Maria de quem tinha, aliás, a boa impressão típica de uma cara nova.
Para outros, o despontar de uma atracção recalcada por meses de dúvidas, medos e expectativas ante e pós nupciais.
Para Miguel, a surpresa.
Então, numa tarde em que um tempo morto deu, primeiro, lugar à brincadeira e, depois, à provocação, subiram o degrau da reserva e beijaram-se.
Rápida, contudo apaixonadamente.